Nesta quarta-feira,
Portugal, que nunca lograra chegar às quartas, sucumbe, com
raça, ante o despautério do semi-juíz. O pênalti
não marcado certamente mudaria o resultado. O sonho acabava
mas a realidade da garra lusa, não.
No sábado, foi a vez
do pesadelo brasilóide sucumbir. Finalmente acabou a ridícula
palhaçada comandada pelo “não preparado para isso”
Parreira, encenada pelo ultrapassado Cafu, pela empáfia do
Roberto Carlos, pelo elefantismo do Ronaldão, e pela dentição
do Ronaldinho.
Salvou-se a defesa que atacou
com tutano. Salvaram-se Robinho e Cicinho quando lhes foi dada chance
e Kaka, quando fez o gol. Finalmente os prepósteros endinheirados
saíram de cena deixando à vista, além de sua
incompetência, o espaço para reflexão do jogo
político, sempre perdido por falta de fibra cidadã.
Merece perder sempre um povo que só se indigna com o resultado
de onze em campo gramado e deixa correr à solta os milhares
de políticos craques em comer bola no planalto, planíces
e caatingas. Merecem chorar os derrotados que, desistentes da honra,
se acomodam ao cinismo do “levar vantagem”, não por acaso
mote propalado por um outro futeboleiro, da geração
do tal do Pelé, o que pensa com o pé.
E ainda temos de testemunhar
os brochantes anúncios televisivos plenos de disfunção
erétil e ética que nos bombardeiam com a cara mentalóide
do dentuça e a ganância da seleção de
cretinos que acham pouco a grana que ganham para rebolar em campo
e abocanham qualquer tasco putrefacto da prostituta indução
ao consumo.
À MERDA TODOS ELES!
PRÁ NÃO DIZER QUE
NÃO FALEI DE FLORES
*** Ari Sobral, o poeta do Arraial
e Claudinho Manguti, ultimando preparativos para a publicação
do livro Crônicas d´Ajuda.
*** O C.O.N.A.C – Centro Oscar Niemeyer
de Arte & Cultura – o diamante das matas das Instâncias
do Icatu, em Trancoso, com desenho do próprio, acaba de ganhar
parceiro de peso. Carlos Figueiredo, autor de Estranha Desordem
e Goliardos – Transportes Báquicos e Outros Transportes,
anuncia doação de sua poderosa biblioteca de mais
de quatro mil volumes. Inestimável capital intelectual de
referências, raro no reino vigente da retórica da hipocrisia
e da esperteza solerte.
*** Tavinho Paes lança o
número dois do Poema Show, um livro autoral impresso como
se fosse jornal, veículo de dimensão outra do tempo,
onde o passado é atualizado para chegar ao presente com um
mínimo de atraso enquanto o futuro é dialeticamente
pré-registrado como se fosse uma profecia. Os ARCHIVOS IMPOSSIBLES
estão presentes e futuros.
do Rio de Janeiro, JORGE MOURÃO